23 de setembro de 2013


A torta de sorvete e uma doce homenagem

  
 Já estava com um post quase todo esquematizado na cabeça, quando li que hoje é o Dia do Sorvete. Para tudo!! Se a fonte da informação é segura ou não, não sei. A origem da data também não me preocupa muito. O que realmente importa é que, tratando-se de sorvete, devemos dedicar uma atenção especial. 

Pensei, então, no que dizer de diferente sobre o sorvete, além de compartilhar imagens inspiradoras. Sorvete é carinho, felicidade gelada no copinho ou na casquinha. Aí a memória e o sentimento falaram mais alto. Quando penso em sorvete, vêm à minha mente duas pessoas que passaram pela minha vida de formas completamente distintas, mas que deixaram a sua marca pra sempre. A elas presto esta doce homenagem no Dia do Sorvete. 

Minha avó Lila tinha uma sorveteria. Foram tantas as histórias dos seus sorvetes.

- Feito com fruta de verdade! - dizia ela. 
- Sem corante, Deus me livre. E só com leite puro - resmungava.

E como ela amava os gelatos! Assim como uma criança, ela viajava longe enquanto saboreava sua casquinha. O sabor preferido? Morango. Não cheguei a pegar a época da sorveteria, mas uma das imagens mais presentes que tenho é da D. Lila sentada na ponta da sua cama em Tramandaí, curtindo uma brisa da janela à tarde e saboreando um Cornetto. Depois de se esbaldar, deitava-se novamente pra terminar a sesta no ventinho. 

Minha avó, no entanto, nunca conheceu a Mari. A Mari nunca teve uma sorveteria, era estudante de publicidade e estagiária como eu. Mas adorava fazer sorvete. Ou melhor, torta de sorvete. No caos da agência de publicidade, conheci a guria que só sorria. Mesmo com tanta pressão, era a alegria em pessoa. Numa das nossas conversas, me confessou que sabia fazer uma torta de sorvete maravilhosa, beeeeemmmm parecida com aquela famosa. Eu sempre tive uma super vontade de descobrir a receita da Torta de Sorvete, então não larguei do pé da Mari.

- Mas tu tem certeza mesmo que fica parecida com a Torta de Sorvete? - perguntei desconfiada. 
-Te garanto! Anota aí. - me disse ela, dando mais um sorrisinho. 

Anotei e fiz. Se fica próxima à original, isso vocês podem testar e tirar suas conclusões. Minha família ama. Sempre que faço, não tenho como não me recordar da Mari. Então, pra comemorar o Dia do Sorvete e homenagear minha amiga, compartilho com vocês a preciosa receita:

Torta de Sorvete da Mari 

Ingredientes:

1 lata de leite condensado
2 medidas da lata de leite
5 gemas
5 claras
1 colher de chá de essência de baunilha 
7 colheres de sopa de açúcar
1 pacote de suspiros
1 barra de chocolate meio amargo

Bata no liquidificador o leite condensado, o leite, as gemas e a essência de baunilha. Leve o creme ao fogo baixo até engrossar, mexendo sempre. Retirar do fogo antes de iniciar a fervura (para não talhar). Reserve. Bata as claras em neve. Acrescente o açúcar até virar um meregue.  Misturar as claras em neve ao creme já frio. Coloque o creme em uma forma retangular forrada com papel manteiga. Disponha os suspiros sobre o creme e leve para congelar por pelo menos 8h. Retire a torta do congelador uns minutos antes de servir e desenforme. Derreta o chocolate e sirva sobre a torta. 

P.S.1: para quem não gosta de uma torta tão doce, é possível reduzir a quantidade de açúcar e/ou tirar os suspiros. 

P.S.2: Uma variação possível é acrescentar bombons picados no lugar dos suspiros e levar pra congelar. 
Via Pinterest
Via Destemperados

À memória de Lilia Comin Gonçalves e Mariana Ludtke Regal.

16 de setembro de 2013


Atando os nós com o furoshiki




Já manifestei aqui, e também no Facebook, minha admiração pela cultura japonesa. Qualquer que seja a técnica ou manifestação artística, os resultados são sempre incríveis. É uma cultura absolutamente criativa e que tem muito a nos inspirar nela. Pois é deles a técnica do furoshiki, a versão em tecido dos origamis. Não é algo tão novo assim, mas, por ser uma arte linda e acessível, achei interessante compartilhar aqui no blog. 

Sem necessitar de um ponto sequer - ou seja, não é necessária nenhuma habilidade de costura -, é possível fazer bolsas (as de praia, com as cangas coloridas, ficam lindas), sacolas para compras no supermercado e embalagens originais. Interessante também é a possibilidade de reaproveitamento de tecidos. 

O furoshiki pode ser uma excelente opção quando não há uma embalagem para presente de última hora. Na internet, há muitos vídeos e tutoriais ensinando o passo-a-passo. Esse site aqui é bem legal. Deixo aqui algumas ideias para inspiração.

Anda muito na modinha embalar presentes e lembrancinhas como as antigas marmitas. Então aproveita o próximo aniversário, ou o Natal (que daqui a pouco estará aí!!!!), e adota o furoshiki nas embalagens dos presentes. Tenho certeza que vai surpreender e agradar muito. Só cuida para escolher uma estampa bem legal de tecido. 

As imagens são do Pinterest.

9 de setembro de 2013


Para pensar: os 10 mandamentos da vida moderna


Vocês já ouviram falar da School of Life ("escola da vida")? Esse é um projeto do filósofo suíço Alain de Botton. Há bastante tempo, li uma das obras mais conhecidas de Alain, A Arte de Viajar, que, por sinal, é muito boa. Só de uns tempos pra cá, no entanto, é que percebi o quanto ele está em voga. Ateu convicto, De Botton acredita que é preciso popularizar a filosofia, conectando suas reflexões à vida cotidiana das pessoas. 

Alain entende que as religiões já foram o grande alicerce dos indivíduos diante das dificuldades, da morte, da finitude. No entanto, ele crê que essas crenças já não conseguem mais preencher os vazios e desfazer os medos que cada vez mais nos angustiam e nos sufocam. Pensando assim, criou a School of Life, uma escola que oferece "boas ideias para a vida no dia-a-dia". Com palestras e workshops na áreas de literatura, filosofia, artes visuais e psicologia, a escola pretende trazer à tona discussões e dilemas da vida moderna e também um alento aos que a frequentam. Seria, portanto, uma novíssima opção nesse mundo caótico àqueles que já não creem mais na religião e na fé. 

O projeto pode soar arrogante e pretensioso (eles usam o termo "sermões" para a série de palestras, por exemplo), mas tem pontos muito positivos que acho que fazem valer à pena. Ainda conheço pouco da School of Life (ela foi fundada em 2008 em Londres e chegou em abril deste ano no Brasil), mas já percebi que pode ser fonte de novos (e positivos) pensamentos dentro da confusão em que vivemos. Não creio que a organização consiga substituir uma religião, mas promete nos fazer refletir e questionar mais, retomando alguns valores que estamos perdendo: gratidão, perdão, gentileza... 

Dentro das propostas da escola, uma das que mais aprecio é o Manifesto das 10 virtudes da Era Moderna. Diante do caos e da ausência de um guia que conduza a nossa vida, Alain de Botton propõe os valores que são fundamentais ao indivíduo de hoje. Independente de qualquer crença, o manifesto fala do ser humano e, por isso, é tão verdadeiro. Atentem, principalmente, ao significado que Alain destina a cada valor: um significado não necessariamente referente ao dicionário, mas à vida como ela é. 

10 virtudes da Era Moderna
por Alain de Botton

  1. Resiliência. Seguir adiante mesmo quando as coisas estão feias.
  2. Empatia. A capacidade de conectar sua imaginação com o sofrimento e as experiências únicas de outra pessoa.
  3. Paciência. Nós devemos ser mais calmos e mais tolerantes sobre como as coisas são.
  4. Sacrifício. Nós não seremos capazes de criar uma família, amar alguém ou salvar o planeta se não praticarmos a arte do sacrifício.
  5. Gentileza. Gentileza está ligada à tolerância, à capacidade de viver com pessoas com as quais jamais concordaremos, mas ao mesmo tempo, não podemos evitar.
  6. Humor. Como o ódio, o humor brota do desapontamento, mas é o desapontamento canalizado de outra maneira.
  7. Autoconhecimento. Conhecer a si mesmo e tentar não culpar os outros pelo seus problemas; ter bom senso para diferenciar entre o que acontece com você e o que pertence ao mundo.
  8. Perdão. É reconhecer que viver com outras pessoas é impossível sem desculpar erros.
  9. Esperança. O pessimismo não é necessariamente profundo, nem o otimismo raso.
  10. Confiança. Confiança não é arrogância, é baseada na certeza do quão curta é a vida e, em ultima análise, quão pouco nós perdemos ao arriscar tudo.

2 de setembro de 2013


Um sopro de cor e esperança na cidade



Entusiasta da arte urbana e, claro, das múltiplas combinações de cores, eu não poderia deixar de admirar o trabalho da Mademoiselle Maurice. Há quem defina o trabalho dela como "grafitti de origami" e acho que a expressão descreve muito bem. 

A jovem francesa, formada em arquitetura, resolveu morar no Japão. Foi lá que, inevitavelmente, ela se apaixonou pela arte das dobraduras. A originalidade da obra de Maurice, entretanto, não está no origami em si, mas nas combinações que ela cria com cada dobradura, com cada cor. Justamente aí está o seu encantamento: a unidade, isolada, é fundamental, mas a beleza se cria a partir do conjunto de todas essas unidades. Bela ideia, aliás, para iniciar uma reflexão sobre nós enquanto indivíduos e grupos. Mas isso pode ser tema para um próximo post. 

De volta à Mademoiselle Maurice, vejo sua obra como uma área de escape no meio da cidade cinzenta, dura e passageira. Profundamente impactada com os terremotos e explosões na usina nuclear de Fukushima em 2011, Maurice busca desde então inserir sua arte na rotina da cidade, na tentativa de trazer um novo sopro de esperança e renovação a quem passa por ali.