2 de julho de 2013


Mais carinho e menos micro: um tributo a comfort food



Talvez tu já tenha escutado a expressão comfort food. Ela está pipocando bastante por aí, e não é à toa. No bom português, significa a comida de vó, aquela que alimenta o coração e nos preenche de recordações amorosas. É um alimento que resgata memórias afetivas e acolhe.

Alguns textos da internet dizem que a expressão tem origem nos anos 70, ironicamente no berço de sua versão antagônica, o fast food. Mas o mais interessante é perceber que essa onda de resgate da comfort food está acontecendo especialmente entre pessoas mais jovens. E que reflete não um modismo, mas mais uma tentativa de mudar o rumo das coisas.

Mais que uma comida, creio que seja a busca por um outro estilo de vida. Não digo novo, porque se trata de um resgate, mas uma reinvenção. Preparar (veja bem, eu uso o verbo preparar!) uma comfort food pressupõe mudança de hábitos, da rotina e da relação com o teu tempo. Não há economia de tempo nesse processo. E muito menos de sentimento, pois é toda preparada para acarinhar alguém especial, nem que seja tu mesmo. É uma doação. 

Por estar relacionado diretamente ao núcleo familiar, às experiências de cada pessoa, não existe uma lista de pratos que defina o que é comfort food. Talvez seja esse o maior desafio ao tentar reproduzi-la em restaurantes. É consenso que pressa e produtos industrializados estão fora de cogitação.

Sou muito fã desse conceito, porque acho que é disso que estamos precisando: menos correria, mais encontros, mais deleite e menos micro. Mais uma vez eu digo: não me venham com papo de não saber cozinhar! É só querer. Até um chocolatinho quente e torradas estão valendo!

Há uma frase que anda girando pela internet, atribuída ao escritor moçambicano Mia Couto, que resume para mim toda essa ideia:

"Cozinhar não é serviço. Cozinhar é um modo de amar os outros" 

Depois dessa, não tenho mais o que dizer. Só me restar ir para a cozinhar e fazer o feijão.